Coluna Prestes narrada por Jorge Amado
em o cavaleiro da esperança
Carlos prestes em entrevista fala sobre a coluna
movimento tenentista idealizada na decada de 20 do século passado.
Grupo que formou a coluna prestes 1924-1926
Diante do avanço das forças legais que reprimiram o levantes de 1924 em São Paulo, os revoltosos decidiram deixar a capital paulista no dia 28 de julho, iniciando sua marcha pelo interior do estado na direção sudoeste. Ingressando no Paraná, em setembro conquistaram Guaíra, Foz do Iguaçu (onde estabeleceram seu quartel-general) e depois Catanduvas. Nessa região, permaneceram até abril de 1925, enfrentando as forças federais comandadas pelo general Cândido Rondon em uma série de combates, principalmente na serra de Medeiros, em Formigas e em Catanduvas, recuperada pelos legalistas no mês de março. Ainda no início da campanha paranaense, alguns líderes como Juarez Távora e João Alberto partiram para o Rio Grande do Sul, a fim de colaborar com oficiais que lá serviam na preparação da revolta militar que abriria nesse estado uma nova frente de combate ao governo. Em outubro de 1924, a insurreição foi finalmente deflagrada no Rio Grande, com o levante, comandado pelo capitão Luís Carlos Prestes, do 1º Batalhão Ferroviário, sediado em Santo Ângelo. 
Padre Aristides Ferreira da Cruz
1872 - 1926
D. Quita Esposa
do Padre Aristides
Padre Manuel Otaviano
autor dos martires de Piancó
Na cidade de piancó deu como marco histórico e merecimento de um dia dedicado a Coluna Prestes foi dado pelo Vereador Joaquim Franklin (Quinca Remigio) que elaborou o projeto que tivesse um dia exclusivo para lembrar a passagem da coluna prestes por piancó, pois fora dessa terra piancó é bastante lembrado inclusive pelo maior romancista Jorge Amado onde o mesmo comenta a passagem da coluna prestes por piancó onde está escrito no seu livro o cavaleiro da Esperança, coisa que são poucos piancoenses que sabem disso, pois segundo Jorge Amado foi em piancó que morreu um dos melhores amigos amigos de Carlos Prestes tido como o braço direito do comandante da coluna espelhada por todo o brasil. Infelizmente a cultura ainda não tem seu lugar privilegiado entre nós, é preciso resgatar a história por que ela deve está viva dentro de cada um nós, por que se não ela entrará num processo de extinção para as futuras gerações que irão surgir, pois no dia que essa geração passar os filhos dessa terra partirem para eternidade especialmente daqueles que ainda mantem viva em sua memoria, se não cultivarmos o gosto pela cultura nos tornaremos um povo aculturado, isto é, um povo sem cultura. Por isso, a ideia de despertar em nós o gosto por uma transformação social, cultural e libertadora em nossa sociedade, aí sim teremos de fato um povo consciente.
Na Paraíba a penetração do grupo revolucionário foi pacifica a exceção de sua chegada em Piancó, que ocorreu no dia 09 de fevereiro de 1926. Antes, porém, quando do acampamento em Coremas, coube ao Capitão Pires fazer o reconhecimento d aproxima cidade que, de acordo com informações previas, não obstacularia a passagem da marcha. Acabou sendo surpreendido em um piquete coordenado pelo sargento arruda, alvejado com tiros de rifles, saindo ferido e presenciado a morte de seu cavalo. Esse fato provocou a ira do Q. G. acampado que de pronto decidiu por uma varredura completa, sem piedade contra a localidade em evidencia.
Piancó dispunha apenas de 12 praças um cabo, um sargento, 30 paisanos e 2 oficiais ( Manuel Marinho e Antonio Benicio). O governador do Estado João Suassuna, solicitou ao deputado Pe Aristides, chefe político do município, que convocasse a população e se unisse às forças policias, na defesa do lugar. Em telegrama enviado ao parlamentar, o Chefe do Executivo Estadual informou que o grupo dos rebeldes era reduzido, faminto, sem munição suficiente e que um grande reforço policial estava sendo encaminhado ao Vale para se unir a resistência. Um dia antes do ataque o Padre dividiu as forças disponíveis em quatro grupos instalado sem pontos estratégicos. Sobre o clima vivido na referida data, o historiador João Francisco, faz a seguinte citação: “ Era anoitecer do dia 08 de fevereiro de 1926 em Piancó. Quase cessando o movimento de pessoas nas ruas da Vila. Duvida e apreensão absoluta pairava na mente de todos. Ao longe os cães latiam como que estivessem anunciando a chegada de uma pessoa estranha ou a partida de seu dono. Na Sala Principal da casa, residência do Padre e Família, os mosquitos circulavam as lâmpadas que iluminava o ambiente tenso. Sentados em circulo, o prefeito João Lacerda, seu filho Osvaldo Lacerda, Manoel Clementino ( escrivão do então distrito do Aguiar), Hostilio Gambarra ( distribuidor em juízo), Pedro Inácio Liberalino, José Ferreira e o Padre Aristides Ferreira da Cruz. Falava-se pouco, sempre conversas entrecortadas, nunca um dialogo demorado. Entra na sala uma senhora, de aspecto servil e em silencio, distribui café e chá aos presentes. Era dona Quita, senhora do padre e mãe dos seus quatros filhos então adolescentes: Jorge, Sebastião, Aristides e Joanita. Novamente a sós, o silencio imperava. Aqui, acolá uma frase curta. Todos sabiam do risco de continuar na cidade. O mais sensato seria procurar sair em busca de proteção, mas longe de tentar convencer o padre dessa idéia.
Logo um alvoroço, uma agitação e entra alguém informando a chegada do cachorro de estimação do senhor José Maria, irmão de D. Quita, e que residia em Coremas. Todos quiseram saber quem o cachorro acompanha. O temor aumentou quando s esoube que este havia aparecido sozinho. Alguém devia estar chegando do visinho município, pôr onde a coluna dos revoltosos passado naquela manha. As horas avançavam feito chamas. Logo Chegaria o momento da despedida, das recomendações e do adeus. Estava já acertado. Dona Quita, e os filhos e o s empregados deixariam a casa logo mais, permaneceriam o padre mais alguns amigos. Na manhã seguinte, outros que também resistiram, estavam sendo aguardados.
Em meio a agitação gerada em torno da chegada do cachorro, surge a porta, um jovem, apressado, e pede a presença do padre. Uma vez atendido, o mensageiro se identificou e entregou-lhe um papel meio amassado e úmido de suor, com um escrito que dizia: “ Não tente resistir, é uma idéia absurda. Passa de mil homens com armamento a disposição alguns até com aparente falta de disciplina. Desde a manha de hoje Coremas foi invadida por um exercito de guerrilheiros desalmados, cruéis¨. A sala se encheu rapidamente, todos apreensivos fitavam o padre, no seu rosto um a nítida expressão de tristeza. Ele sabia, todos mais uma vez tentariam convence-lo a deixar a cidade, agora com argumento mais sensatos. A aflição do padre poderia ser notada também no semblante desolado de D. Quita e dos filhos. Todos temiam o pior. O Padre estava dominado por uma sensação de impotência. A idéia d e abandonar a cidade não era nada horroroso para um chefe político na sua envergadura. Dúvida cruel. Enquanto o seu orgulho de homem público e de defensor do povo e da cidade, forçavam-no a ficar, uma porção de medo de perder Quita e os filhos, levava-o na possibilidade de fugir.
Os amigos foram unânimes. O Padre devia sair com a família, deixasse um grupo de homens de confiança protegendo a cidade. E instantes depois o Padre consentiu em acompanhar os seus familiares a uma fazenda distante, até os revoltosos saírem de Piancó. O temor da separação deu lugar a agitação da arrumação dos objetos que levariam na viagem. Já havia alegria entre os presentes na casa grande. As carroças e os animais que seriam usados no transporte da família foram conduzidos ate a porta da frente.
Na Paraíba a penetração do grupo revolucionário foi pacifica a exceção de sua chegada em Piancó, que ocorreu no dia 09 de fevereiro de 1926. Antes, porém, quando do acampamento em Coremas, coube ao Capitão Pires fazer o reconhecimento d aproxima cidade que, de acordo com informações previas, não obstacularia a passagem da marcha. Acabou sendo surpreendido em um piquete coordenado pelo sargento arruda, alvejado com tiros de rifles, saindo ferido e presenciado a morte de seu cavalo. Esse fato provocou a ira do Q. G. acampado que de pronto decidiu por uma varredura completa, sem piedade contra a localidade em evidencia.
Dona Antonia César foi a única a mulher que ficou em Piancó no dia da chacina. Durante depoimento contou que após a tragédia se dirigiu ao local para ver o padre morto. “ Tinha um buraco medonho na goela. Metade do corpo dentro d´agua metade de fora. Quando eu reparava no corpo dele, um “ cangaceiro arrebatou o candeeiro da mão ederr4amou gás na cara do padre. Queria queimar o pobrezinho. Eu tomei o candeeiro das mãos dele. Não deixei que tocassem fogo.¨
Pedro Inácio foi um dos sobreviventes da chacina. Estava dentro da casa do Padre quando começou o tiroteio e viu a morte no caminho. Acabou sendo o único sobrevivente pela sorte de ter conseguido fugir sem ser notado. Foi ele o responsável pelo sepultamento dos mortos no dia seguinte.
9 de fevereiro de 1926
Às 06:30 da manhã chegara a Piancó o Ten. Manuel Marinho, vindo de Patos em um caminhão, conduzindo armas, munição e cinco praças, somando assim um total de 20 soldados. Quando Sargento Arruda fazia a distribuição do armamento e munição, e Ten. Benício organizava os quatro piquetes a Coluna penetrava na vila pela rua do Conselho Municipal. Segundo Sr. Dantas os primeiros disparos foram da Coluna, já Pe. Otaviano, em seu livro "Os mártires de Piancó", afirma que o primeiro tiro fora dos piancoenses. Histórias populares dizem que o primeiro oficial vinha montado, vestindo culotes, paletó azul-marinho e portando uma bandeira branca.
Mas não há certeza.
Sargento Arruda e outros resistiram na casa do Juiz Dr. Abdon Assis em frente ao Conselho. A Coluna recuou, retornando vinte minutos depois procurando envolver a Vila pelo nascente e poente. Do lado Sul havia dois piquetes, um comandado pelo alfaiate Isidoro e Francisco Lima, e outro por amigos de Pe. Aristides na casa do Sr. Mario Leite.
Foi possível manter resistência até às 14:00 horas, sendo feita uma retirada dos piancoenses, uma vez verificada a impossibilidade material de prolongar a luta. Entretanto, o pessoal do Padre continuou resistindo ainda por meia hora quando, para facilitar o ataque, os rebeldes jogaram uma granada numa das janelas e tomaram as salas da frente, havendo ainda alguma resistência brevemente cessada, com recuo dos sitiados para o interior da casa onde estava o Padre. Em fuga foram atingidos José Lourenço e João Monteiro. Esse último, embora ferido, conseguiu escapar.
Também escaparam uma criada e duas crianças que se evadiram às 13:00 horas.
Sangue no Barreiro
Havia poucos vestígios de sangue na casa. O padre e seus amigos foram conduzidos ainda com vida para o barreiro. É com comoção que pessoas mais antigas da cidade contam que o barreiro estava completamente tinto de vermelho. Veja agora as palavras de um dos rebeldes, em Santana dos Garrotes, que ajudaram a trucidar o Padre. "Perdemos um oficial, que todo o Piancó queimado não pagaria, mas, também o chefe, Padre Aristides, foi para a sepultura, num barreiro, com seus próprios pés"
14 de fevereiro 1926
Integrantes do Jornal O Combate, editado em Cajazeiras adentraram na cidade nesse dia e localizaram a mulher que fugiu por ordem do Padre. A mesma narrou o fato: o Padre sentindo-se cercado mandou ao muro Rufino, seu guarda de confiança, a ver o que era possível fazer. Rufino, deparando-se com o ataque, voltou e disse ao Padre que, se saíssem morreriam e se ficassem dentro de casa haviam de morrer. Nesse momento dos enormes estampidos se fizeram ouvir: eram granadas e bombas de gás. O pessoal que brigava sentiu forte dor de cabeça, não havendo remédio o Padre aconselhou o uso de açúcar. Sendo a casa invadida o pessoal resistia no corredor. Pediu o padre para todos garantia de vida, solicitação que teve o consentimento dos rebeldes sob a condição de deporem armas. Pegado o Padre em às mãos, para logo começarem os ultrajes.
Texto Anexo
Carta de Suspensão do Pe. Aristides
"Ao Remº Padre Aristides Ferreira da Cruz.
Tendo chegado ao nosso conhecimento a falta de obediência as nossas paternas admoestações, feitas pessoalmente a Vosso irmão, para fatos que desabona inteiramente a dignidade sacerdotal e até mesmo do homem de bem, o que infelizmente vemos comprovado e ao domínio de todos, com pesar retiramos de Vosso irmão, o exercício de todas as sagradas ordens, até que tenhamos a obediência que sempre temos recebido do nosso clero.
Prezo ao Sagrado oração de Jesus que o irmão, bem se compenetre da gravíssima responsabilidade que tem diante de Deus, servindo de escândalo a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo."
Paço Episcopal da Paraíba. Em 16 de Julho de 1912. Adauto, Bispo Diocesano.